Não, não abandonei o Blog, pelo contrário, faltava-me era tempo e um pouco de disposição para com ele.
Bom, aqui estamos nós outra vez. Muita coisa mudou em minha vida, puxa... eu não posto nada desde de novembro de 2006. Já faz uma cara!!! Tanta coisa aconteceu. Coisas boas e coisas ruins, mas enfim, sobrevivi e cá estou eu novamente.
Carnaval chegando, acampamento programado pra Búzios, espero que pare de chover e faça um solzinho que seja (não acredito que logo EU, vampiro... como sou chamado por alguns, estou clamando por sol, que controverso).
Mas não estou aqui por causa disso. E sim porque senti novamente vontade de escrever, e um novo conto vampiresco está a surgir. Muito bem, vamos lá.
Diário de Friedrich Metternich
Verão de 1772, faz frio e chove constante lá fora.
No entanto, aqui dentro a água cai morna e gostosa na banheira de meu banho espumoso. Preparado com sais de banho importado do oriente pelos melhores servos que o dinheiro pode comprar.
Alguns diriam que um vampiro com muitos caprichos está desperdiçando sua imortalidade, mas como eu disse, meu lema é “Às vezes sou chamado de degenerado, mas tudo o que faço é aproveitar a minha não-vida apreciando o que há de mais belo: a arte!” — pois bem, muitos podem não achar, mas eu me vejo como uma peça rara e única de arte.
Um ser imortalizado na plenitude da vida, dotada de conhecimentos profundos e amores apaziguadores.
— Este lugar não é meu, não me pertence. Não sei, é estranho. — penso comigo.
Entro no banho.
A água suave e morna abraça minha pele branca como o mármore. Meus cabelos negros são instantaneamente ensopados quando eu curvo a cabeça.
— Esta casa me é estranha, não é como as outras que eu chegava e me sentia em casa. — eu falava comigo mesmo, às vezes em pensamento e às vezes pensando alto. — As demais residência as quais habitei me faziam sentir confortável.
Termino o banho.
— Tudo bem que nada me faria sentir em Lienz, mas era um esforço. — pego uma toalha branca e começo a me enxugar enquanto sigo para o dormitório.
O quarto é lindo, magnífico. Com uma enorme cama com dosséis belíssimos com imagens de anjos esculpidos ao redor como que em voando em círculo rumo ao nosso Senhor Jesus. Mas mesmo assim, não me sinto bem vindo. Não me sinto em casa.
Começo a me vestir.
— Eu não compreendo. É como se alguém não quisesse que eu estivesse aqui, não sei dizer. Talvez eu mesmo não desejasse estar aqui.
Paro então para refletir um bocado.
Avisto meu antigo relógio de bolso, presente de minha amada Axelia, minha criadora e amante, a vampira milenar que me concedeu o sangue vampiresco.
— Parte disso é verdade, eu não quero estar aqui realmente. Gostaria de estar ao lado dela, caçando na noite, percorrendo telhados e voando na noite fria e úmida.
Termino de me vestir. Os trajes de baixo cobertos por uma calça de seda fina e uma sobrecasaca de lã. As mangas e as golas em renda bordada à mão e um belo camafeu prendendo a gola.
— Estou divino. — reflito.
Sigo até a penteadeira e pego uma escova de cabelos. Começo a desembaraçar os fios negros que pendem em minha cabeça. Enquanto isto, me observo no grande espelho. Minha imagem imortalizada no rosto do pintor do século XV, Friedrich o artista fracassado.
Eu rio com isto.
Mas estava lá e para sempre estaria. Os olhos de um verde intenso como duas esmeraldas. O cabelo negro e que atingiam os ombros. O corpo nem másculo demais, nem magro, até atlético, para alguém que só segurava um pincel e uma aquarela. Meu queixo quadrado coberto por uma barba serrada eternamente por fazer. Não adiantava, todas as noites eu fazia aquele vestígio de barba, no início da noite posterior, lá estava ela, intacta.
— Preciso ir embora daqui, este lugar não me pertence mais. — ralho. — Nunca pertenceu!
Rapidamente começo a arrumar minhas coisas mais pessoais.
Com um comando mental, dois vassalos surgem batendo a porta.
— Chamou-nos senhor? — perguntaram hipnotizados por mim.
— Sim, preparem minha partida. Quero tudo pronto até a próxima noite. Vou voltar para minha amada Lienz. — eles acenaram com pressa e logo correram para cumprir as ordens.
Sigo para a janela do meu quarto e fico a observar o horizonte.
Os campos distantes invisíveis por olhos mortais, mas que meus olhos vampirescos podiam captar perfeitamente. O céu de vários tons de lilás com um azul-avermelhado. Uma propulsão de cores magníficas, uma tela viva nos céus.
De repente, meus sentidos captam algo que não fazia parte da ordem natural de meu lar. Meus criados estavam todos voltados para a minha partida apressada. Então...
— Quem é aquele homem que caminha no terreiro?
Sem pensar muito, salto da janela e deixo meu corpo cair. Sinto o vento percorrendo minha pele e adentrando pelos vãos da minha roupa. Delicioso.
Antes que meu corpo se desse de encontro com o chão, plano no ar e pouso exatamente atrás do invasor.
— Também gosto de passear neste jardim... — digo para chamar-lhe a atenção.
O homem olha assustado. Sua mente logo se conecta com a minha — ladrãozinho barato.
Sem pensar duas vezes, com minha velocidade sobrenatural, torno a passar para trás dele e cravo minhas presas em seu pescoço. Ele grita de dor enquanto eu bebo seu sangue.
Deixo uma ordem mental para um dos criados se livrar do corpo dele. Volto flutuando para meu quarto como um fantasma na noite.
E foi assim minha última noite nesta casa, antes de partir em viagem rumo a minha terra natal, minha amada Lienz.
Espero escrever aqui novamente. Minha querida tutora disse que ela escrevia também, eu sabia. Muitas das vezes precisava puxá-la daqueles pergaminhos e cadernos para passar um pouco de sua imortalidade comigo.
Sorrio novamente, eu adoro o meu sorriso. Principalmente quando aparecem minhas presas.
Pois bem, para quem encontrar ou acabar lendo isto daqui, espero que tenha sido uma leitura agradável.
Um abraço e beijo do vampiro Augustus.